LOBBY DO AMIANTO GASTA US$ 100MILHÕES NO MUNDO

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Imagem de pulmão de paciente com asbestose, uma das doenças causadas pelo amianto. A inalação de  fibras e acúmulo de líquidos nos espaços pleurais causam uma progressiva perda da elasticidade pulmonar e insuficiência respiratória

Segundo pesquisa do Cesteh, os mais afetados pelo amianto são os operários das minas e das indústrias têxtil e de fibrocimento – material usado para produzir telhas e caixas d’água. Desde 1996, os pesquisadores da Fiocruz acompanham cerca de 300 trabalhadores dessas indústrias, dos quais pelo menos 40 já foram diagnosticados com asbestose, fibrose pulmonar progressiva causada pelo amianto. Quanto à mortalidade, o estudo apresenta dez óbitos de trabalhadores, cujas causas foram asbestose, câncer de pulmão e mesotelioma de pleura. O mesotelioma é um tipo de câncer que atinge a pleura, membrana que reveste o pulmão; o pericárdio, que recobre o coração; e o peritônio, que forra a cavidade abdominal. Após o aparecimento da doença, a sobrevida fica em torno de apenas dois a três anos. No final desta página, a imagem de uma peça anatômica com os destroços causados pelo amianto.

21/07/2010 - 07h03

Matéria abaixo, publicada na Folha de São Paulo

JIM MORRIS

DA BBC/ICIJ, ESPECIAL PARA A FOLHA

Uma rede mundial de grupos de lobby gastou quase US$ 100 milhões desde a metade dos anos 80 a fim de preservar o mercado internacional do amianto, carcinógeno conhecido que já tirou milhões de vidas e tem seu uso proibido ou restrito em 52 países, constatou o ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) depois de nove meses de investigação.

AMIANTO PODE MATAR MAIS DE 1 MILHÃO ATÉ 2030

Com apoio de verbas públicas e privadas e a assistência de cientistas e governos simpáticos à causa, os grupos ajudaram a facilitar a venda de dois milhões de toneladas de amianto no ano passado, em sua maior parte a países em desenvolvimento. Ancorada pelo Chrysotile Institute, sediado em Montreal (Canadá), a rede se estende de Nova Delhi (Índia) à Cidade do México, passando pela cidade de Asbest, (Rússia). Sua mensagem é a de que o amianto pode ser usado em segurança sob condições “controladas”.

Como resultado, o uso do amianto está crescendo rapidamente em países como China e Índia, o que leva especialistas em saúde a alertar sobre futuras epidemias de câncer de pulmão, asbestose e mesotelioma, um câncer maligno altamente agressivo que costuma atacar o revestimento dos pulmões.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) informa que 125 milhões de pessoas continuam a encontrar amianto em seus locais de trabalho, e a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que 100 mil trabalhadores morram a cada ano de doenças relacionadas ao amianto.

Outros milhares perecem de exposição ambiental ao material. James Leigh, diretor do Centro de Saúde Ocupacional e Ambiental na Escola de Saúde Pública de Sydney, Austrália, previu que haverá um total de cinco milhões a 10 milhões de mortes causadas por cânceres relacionados ao amianto até 2030, uma estimativa que ele considera como “conservadora”.

“É totalmente antiético”, disse Jukka Takala, diretor da Agência de Segurança e Saúde no Trabalho e antigo dirigente da OIT, sobre a campanha de promoção do uso do amianto. “É quase um crime. O amianto não pode ser usado de maneira segura. É claramente carcinógeno. Mata pessoas”.

De fato, um painel de 27 especialistas formado pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer, da OMS, reportou no ano passado que “as provas epidemiológicas vêm mostrando associação cada vez maior entre todas as formas de amianto e risco ampliado de câncer de pulmão e mesotelioma”.

Editoria de Arte/Folhapress

PESQUISAS

A indústria do amianto, no entanto, sinalizou que lutará para proteger as vendas da fibra bruta do minério e dos produtos com ele fabricados, como telhas e encanamentos produzidos com cimento de amianto. Entre seus aliados estão pesquisadores cujos trabalhos são bancados pelo setor e que produziram centenas de artigos, aceitos por publicações científicas, para alegar que o crisotilo –o amianto branco, única forma do minério à venda atualmente– é muitíssimo menos perigoso que o amianto marrom ou o azul.

A Rússia é o maior produtor mundial de crisotilo, e a China o maior consumidor do minério.

“Trata-se de um material extremamente valioso”, argumenta J. Corbett McDonald, professor emérito de epidemiologia na Universidade McGill, em Montreal, que começou a estudar trabalhadores expostos ao crisotilo nos anos 60, com apoio da Associação Mineradora de Crisotilo de Quebec. “É muito barato. Se tentarem reconstruir o Haiti sem usar amianto, o custo será muito maior. Quaisquer efeitos [do crisotilo] sobre a saúde serão triviais, se é que existirão”.

A visão otimista de McDonald sobre o crisotilo pressupõe que os empregadores forneçam controles de poeira, ventilação e equipamentos de proteção apropriados para os trabalhadores. Os especialistas em saúde pública afirmam que essas medidas são incomuns nos países em desenvolvimento. “Quem quer que fale sobre uso controlado de asbestos é ou mentiroso ou tolo”, afirma Barry Castleman, consultor ambiental da região de Washington que assessora a OMS quanto aos problemas do amianto.

CANADÁ

Resistente ao calor e ao fogo, forte e barato, o amianto –um metal fibroso de ocorrência natural– no passado era considerado como um material de construção de propriedades mágicas, Por décadas, os países industrializados, dos Estados Unidos à Austrália, o empregaram para incontáveis produtos, entre os quais encanamentos e isolamento para teto, materiais de construção naval, sapatas para freios, tijolos e pisos.

No começo do século 20, começaram a surgir informações sobre os danos que o material podia causar aos pulmões. Pelo final do século, milhões de pessoas estavam doentes ou haviam morrido por exposição a amianto, e bilhões de dólares em indenizações haviam sido pagas aos queixosos. Do total de amianto utilizado, 95% provém do crisotilo, agora proibido ou de uso severamente restrito em pelo menos 51 países.

Essa história sórdida, porém, não bastou para deter a ação do lobby do amianto, liderado há muito tempo pelo Canadá. O governo federal canadense e o governo da província de Quebec, onde o crisotilo é minerado há décadas, doaram 35 milhões de dólares canadenses ao Chrysotile Institute, anteriormente conhecido como Asbestos Institute.

O Canadá não emprega muito amianto em seu território, mas exportou 153 mil toneladas do minério em 2009; mais de metade desse total foi enviado à Índia. As autoridades canadenses lutaram para impedir que o crisotilo fosse incluído na lista do Anexo 3 da Convenção de Roterdã, um tratado que requer que exportadores de substâncias tóxicas usem rótulos claros e alertem os importadores quanto a quaisquer restrições ou proibições.

A despeito da crescente pressão por parte de autoridades de saúde pública de todo o mundo, que desejam a suspensão das exportações de amianto canadense, as autoridades do país continuam a defender o setor. “Desde 1979, o governo do Canadá vem promovendo o uso seguro e controlado do crisotilo, e nossa posição continua a mesma”, afirmou Christian Paradis, ministro do Meio Ambiente no governo conservador do Canadá e antigo presidente da Câmara do Comércio e Indústria do Amianto, em comunicado por escrito ao ICIJ.

Amir Attaran, professor associado de direito e medicina na Universidade de Ottawa, classifica a posição do governo como inaceitável. “Fica absolutamente claro que [o primeiro-ministro] Stephen Harper e seu governo aceitaram a realidade de que o curso atual de ação causa mortes, e consideram o fato tolerável”, diz Attaran.

Clement Godbout, presidente do Chrysotile Institute, insiste em que a mensagem de sua organização vem sendo mal interpretada. “Dizemos que o crisotilo é um produto com risco potencial, e que é preciso controlar esse risco. Não é algo que se deva adicionar ao café a cada manhã”.

O instituto é uma central de distribuição de informações, enfatiza Godbout, e não uma agência internacional de policiamento. “Não temos o poder de interferir em quaisquer países, porque eles têm seus poderes, sua soberania”, diz. Godbout se declarou convencido de que as grandes fábricas de cimento feito de amianto, na Índia, têm bons procedimentos de controle de poeira e de vigilância médica, ainda que reconheça que possa haver operações menores “nas quais as regras não são seguidas rigorosamente. Mas isso não representa um retrato fiel do setor. Se alguém dirige seu carro a 300 km/h em uma rodovia dos Estados Unidos, não quer dizer que todo mundo mais faça a mesma coisa”.

ORGANIZAÇÕES IRMÃS

O Chrysotile Institute oferece o que descreve como “assistência técnica e financeira” a uma dúzia de organizações irmãs em todo o mundo. Essas organizações, por sua vez, tentam influenciar a pesquisa científica e a política em seus países e regiões.

Considere a situação do México, que importa do Canadá a maior parte de seu amianto. A promoção do uso do crisotilo é a tarefa de Luis Cejudo Alva, que comanda o IMFI (Instituto Mexicano de Fibro Industrias) há 40 anos. Cejudo declara manter contato regular com o Chrysotile Institute e com organizações relacionadas na Rússia e Brasil, e faz palestras no México e no exterior sobre o uso prudente do crisotilo.

Guadalupe Aguilar Madrid, médica e pesquisadora do Instituto de Seguro Social do governo federal mexicano, diz que o IMFI exerce grande influência sobre as regras trabalhistas e ambientais mexicanas, que continuam a ser frouxas. O país está à beira de uma epidemia de mesotelioma e outras doenças relacionadas ao amianto que poderia custar 5.000 vidas ao ano, diz a médica.

No Brasil, um promotor de Justiça quer dissolver o Instituto Brasileiro do Crisotila, que se descreve como grupo de interesse público e opera com isenção tributária. Em petição judicial, o promotor acusa o instituto de servir como mal disfarçado agente de vendas para a indústria brasileira do amianto. O instituto nega a alegação, afirmando “garantir a saúde e a segurança dos trabalhadores e usuários”.

Na Índia, onde o mercado do amianto vem crescendo em 25% ao ano, a poderosa Asbestos Cement Products Manufacturers Association desfruta de estreito relacionamento com os políticos e recebeu US$ 50 milhões das empresas do setor desde 1985, de acordo com fontes do governo. Uma das especialidades da organização são “editoriais publicitários” –falsos artigos noticiosos que louvam a segurança e o valor dos produtos de amianto. Um anúncio veiculado no jornal “Times of India” em dezembro é típico. Alegava, entre outras coisas, que o flagelo do câncer causado pelo amianto no Ocidente havia surgido em um “período de ignorância”, quando a manipulação pouco cautelosa de materiais de isolamento feitos de amianto resultou em exposição excessiva. Esse tipo de exposição já não acontece, afirmava o anúncio.

PATROCINADOS

O argumento do lobby do amianto depende em larga medida de cientistas que caracterizam o amianto branco como relativamente benigno. Pesquisas sobre o crisotilo financiadas pelo setor começaram a ser conduzidas de maneira mais efetiva a partir da metade dos anos 60, quando estudos que comprovavam os efeitos nocivos do amianto atraíram atenção indesejada para as então prósperas minas de Quebec. Minutas da reunião da Quebec Asbestos Mining Association em novembro de 1965 sugerem que o grupo adotou o setor de tabaco como paradigma: “Foi mencionado que o setor de tabaco havia lançado um programa próprio [de pesquisa] e agora sabe que posição ocupa. A indústria sempre faz bem ao cuidar de seus próprios problemas”.

Os estudos se provaram benéficos para um setor que vem sofrendo crescente pressão pela cessação de suas atividades. São vigorosamente contestados por outros cientistas, segundo os quais o crisotilo é claramente capaz de causar mesotelioma e câncer de pulmão.

“Existe base científica legítima para a alegação de que o amianto branco pode ser menos nocivo [que o marrom ou o azul]? Sim”, diz Arthur Frank, médico e professor na escola de saúde pública da Universidade Drexel, em Filadélfia. “Mas isso significa que seja seguro? Não”.

Esta história é parte de uma investigação conjunta conduzida pelo ICIJ e pela BBC News. Colaboraram ANA AVILA, na Cidade do México; DAN ETTINGER, em Washington; MURALI KRISHNAN, em Nova Delhi; ROMAN SHLEYNOV, em Moscou; e MARCELO SOARES, em São Paulo.

TRADUÇÃO DE PAULO MIGLIACCI

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O AMIANTO E O CANCER

Embora os neoplasmas apareçam como quarta causa de mortalidade no Brasil sua associação a causas profissionais ainda é rara. O câncer de pulmão aparece em segundo lugar, em São Paulo, atrás dos cânceres de estômago, prevalentemente na população masculina, segundo Mirra e Franco, sendo que o IARC-International Agency for Research on Cancer(Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer) da Organização Mundial de Saúde classifica o amianto ou asbesto no grupo 1 dos 75 agentes reconhecidamente cancerígenos para os seres humanos.


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LIDERANÇAS SEM MEDO DE SEGURANÇA NO TRABALHO

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Este artigo contem importantes observações sobre gestão estratégica de riscos;  é um texto traduzido do site ohsonline e indicando que cada vez mais segurança e saúde implicam em uma abordagem integrada e estratégica, na direção de uma cultura de segurança entre os trabalhadores. E assim, há necessidade de os profissionais responsáveis exercerem muito mais liderança do que chefia.


LIDERANÇAS SEM MEDO DA SEGURANÇA NO TRABALHO


A estratégia de fomentar medo para obter
segurança no trabalho raramente funciona.
Robert Pater, jun 2010
Managing Director, Strategic Safety Associates and MoveSMART®.

http://ohsonline.com/articles/2010/06/01/no-fear-safety-leadership.aspx?sc_lang=en


Se você está almejando excelentes resultados na cultura e performance em segurança é tempo de promover a campanha “Sem Medo de Segurança”.

No fundo, segurança no trabalho é alguma coisa como reduzir medo – como por exemplo, evitar perdas ou de se sentir bloqueado em não conseguir alguma coisa que você quer no futuro.

De fato muitas lideranças sem pulso ironicamente tentam usar o medo para exatamente conseguir redução do medo.

Ou seja, “trabalhe seguro, ou então”:

a) você vai ser disciplinado ou advertido;

b) vai se chamado a atenção e ficar constrangido

c) pode perder seu emprego

d) não será capaz de encarar seus filhos

e) viver uma dor interminável, ou,

f) morrer.

Essa estratégia de meter medo para consegui melhores resultados em segurança raramente funciona como planejado. Algumas vezes o pessoal até pára de pensar no assunto. Por exemplo, você já deve ter ouvido falar de tentativas que são feitas para motivar os trabalhadores a utilizar proteção visual porque assim eles não vão perder a visão, mas de vez em quando alguem executa uma tarefa sem proteção visual e nada adverso ocorre, pelo contrário, até reforça que aquela advertência não tem fundamento. E aí, quando este tipo de advertência se torna ineficaz, advinhe de quem diminui a credibilidade.

É comum algumas pessoas deixarem de adotar procedimentos padrões em segurança apenas para provar a elas mesmas e aos outros que eles não estavam com medo de consequencias físicas ou organizacionais (como se tivesse sido desafiado de forma infantil do tipo “eu duvido que você vai fazer isso”).

Reações de atenção ao medo (por parte de profissionais do SESMT) incluem – afunilamento do foco/estreitamento do campo visual/fixação em um alvo, atenção obnubilada/não estar vendo o que está à sua frente, planejamento de curto prazo, tensão nervosa (e consequentemente diminuição do equilíbrio físico). Além disso, o profissional torna-se facilmente assustável e menos apto a reagir de forma rápida e imediata para uma mudança. Justamente o oposto daquele atento e esperto líder que muitos gostariam de ser.

Outras respostas imediatas vão desde medo, ataque e sabotagem para retirada, desengajamento, moral baixa e perda da confiança.

O PAPEL DA LIDERANÇA

mestreseocombrEntretanto, está no papel da liderança:

a) ajudar pessoas a superarem o medo, mais do que se tornarem intimidadas, sem iniciativa ou complacentes.

b) fomentar um senso de controle e habilidade pessoal para responder a mudanças inesperadas.

c) ajudá-los a trabalhar de forma calma e com discernimento durante períodos de crise, em vez de espalhar o pânico;

d) terem diversas opções durante períodos de escassez;

e) restaurar, reorganizar e reconectar pessoas para evitar que batam em retirada quando aparecer incerteza e stress;

f) reconhecer reações de medo a direcionar uma estratégia para empreender ações de forma precoce.

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OS PODERES DO NÃO

Lideranças iluminadas são como W. E. Deming, o pai da Iniciativa de Qualidade, que inclui 14 pontos para elevar a efetividade organizacional. Seu oitavo princípio consiste em “elimine o medo, assim todo mundo pode trabalhar de forma efetiva em uma empresa”. Na mesma direção, Andrew Grove, da Intel, escreveu: “o medo não cria picos de performance, apenas mínima performance”. Então, como líderes efetivos podem promovar uma cultura de “Sem Medo da Segurança” ? Empregue os sete poderes do não:

1. não motivar pelo medo – ao invés, dirija o pessoal para uma ação positiva e hábil, através do oferecimento de  desejáveis e prazeirosos benefícios pessoais viáveis;

2. não pressionar e divulgar comunicados que apenas determinam “os funcionários devem” fazer isso ou aquilo, ou ainda, criticar sem ouvir; não dar conselhos quando as pessoas estiverem muito preocupadas em não recebê-los de forma efetiva; lembre-se que um conselho é útil somente quando empregado no tempo certo e possa ajudar a quem o recebe aplicá-lo; um conselho não deve ser uma desculpa para reclamar ou aliviar frustrações;

3. não ameaçar (tipo “ou você faz o que eu mando ou você está contra a segurança”); pelo contrário, encoraje opiniões divergentes que ajudam a aperfeiçoar políticas e procedimentos e para que as pessoas comprem a idéia;

4. não exercer auditorias para pegar trabalhadores fazendo coisa errada (“Agora eu te peguei”). Eu não conheço nenhum líder que gostaria de receber críticas (tipo “você só atende telefone depois do 4º toque quando poderia atender no segundo”, ou ainda, “eu não vi você sorrindo com satisfação quando você deu aquele prêmio de incentivo”). Certifique-se de realizar uma auditoria externa para um enfoque o mais positivo possível. Procure localizar e reforçar pessoas para adotarem ações corretas.

5. Não adotar uma Investigação de segurança para caçar ninguem. O principal objetivo de uma investigação de segurança é assegurar que aquele tipo de acidente ou um outro similar não vai mais ocorrer com aquela pessoa ou com outras no futuro. Correr atrás do que o trabalhador deveria ter feito não vai mudar o que aconteceu e geralmente cria uma cultura baseada no medo onde não se consegue a informação necessária para a prevenção;

6. Não fazer Relatório de Culpa. É melhor adotar Comunicados de quase-acidente ou de incidentes. Uma empresa observou um dramático aumento no número de comunicados de quase acidente, trabalhando com mais de 14 milhões de horas sem perdas de tempo (em um ambiente de trabalho de alto risco);

7. Não esperar que os trabalhadores vão agir de forma diferente dos líderes. Se eles veem os lideres tomando decisões imprudentes não se surpreenda quando os trabalhadores tomarem atitudes similares, do tipo “rápido e sujo”, através de atalhos em procedimentos de segurança; supervisores que enganam, mentem e agem de forma grosseira, estão criando as condições para que qualquer um faça o mesmo dentro dos seus limites; não resta dúvida de que criar normas através do medo funciona até um certo tempo, mas apenas por um curto período;

8. Você já viu trabalhadores como adversários que você tem que se afastar deles para se proteger? Você já trabalhou com uma mão de obra escassa que está operando sem uma supervisão mínima e sob ameaça de competição feroz? Líderes que transmitem “tome conta de você mesmo” ou algo assim, criam um clima de desengajamento, o pessoal põe um pé atrás; por outro lado, bons líderes vislumbram todos os membros da organização como importantes para a missão institucional e não como inimigos que tem de ser controlados pelo medo.

Se você quiser desenvolver empenho, atenção, criatividade e alto nível de performance trabalhe para desenvolver uma cultura de Sem Medo da Segurança.

Tradução: Samuel Gueiros, Med Trab, Coord NRFACIL

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A ESCALA DO APRENDIZADO COGNITIVO PARA O TREINAMENTO EM SST

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Uma das responsabilidades profissionais em segurança é entender ao máximo como os adultos aprendem, assim como eles agem acerca dos aspectos técnicos da segurança.

Este artigo, publicado em inglês no site OHS on line, descreve como os princípios de aprendizagem do Dr. Benjamim Bloom podem fazer seu treinamento em segurança ser mais efetivo. Foi autorizada a publicação da tradução neste Blog.
É um artigo longo, e se você não puder lê-lo todo agora, vá lendo durante a semana e fazendo suas anotações.

Autor: Shawn Adams (Jun 01, 2010)
C.P.C.U., A.R.M., PHR, trabalha em treinamento e desenvolvimento para um hospital em Marion, Ill., e mora em Harrisburg, Illinois (USA)

Tradução livre do artigo no site
http://ohsonline.com/articles/list/ht-construction-safety.aspx

peabiruscombrTREINAMENTO E APRENDIZADO

O consenso geral daqueles responsáveis pela segurança no trabalho é que os chamados atos inseguros causam a maior parte dos acidentes de trabalho. Assim, considerando que a maior parte dos acidentes é resultado de ações humanas, a batalha decisiva na guerra da segurança é pelas mentes dos trabalhadores.

O treinamento constitui a maior parte das responsabilidades de trabalho dos profissionais da segurança e uma ferramenta importante na mudança das mentalidades e subsequentemente dos comportamentos da força de trabalho.

Como o treinamento é uma parte vital no processo de comunicação para a mudança de comportamento dos trabalhadores, podemos afirmar que uma das responsabilidades profissionais em segurança é entender ao máximo como os adultos aprendem, assim como eles agem acerca dos aspectos técnicos da segurança.


apep183blogspotcomUMA ESCALA PARA O APRENDIZADO

Todo o conhecimento técnico do mundo não serve para nada se nós não pudermos nos comunicar com os trabalhadores e fazer com que eles, assim como os supervisores, valorizem a segurança. Infelizmente, muitos profissionais de segurança, embora bem treinados em aspectos técnicos da área, não estão preparados para fornecer não apenas treinamento, mas otimizar o treinamento. Felizmente, existem teóricos do aprendizado que entendem como multiplicar esta informação. Um desses teóricos é o Dr. Benjamim Bloom. A chamada “Classificação de Bloom” pode ser tornar uma ferramenta valiosa em ajudar como entender a forma como adultos aprendem e assim otimizar seu programa de treinamento.

Geralmente as pessoas responsáveis por treinamento não sabem como os adultos aprendem, inclusive nas próprias universidade. É comum saber-se que existem professores brilhantes mas que não sabem comunicar o conhecimento aos alunos. Conta-se que um Juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos declarou em uma decisão que não sabia como definir pornografia mas saberia o que era quando visse. Infelizmente, muitos técnicos de segurança estão na mesma situação, eles não sabem o que faz um bom treinamento mas sabem identificá-lo quando eles o virem, embora não entendendo como chegar ali quando forem responsáveis pela instrução.



NÃO ADIANTA SÓ FALAR

Algumas pessoas acham que ensinar é só falar e isso pode não ser muito difícil. Infelizmente, isto é mais ou menos como pessoas que acreditam que segurança não é uma disciplina de fato, afinal, segurança é justamente o “bom senso”. Talvez ensinar é só falar, mas um ensino efetivo é alguma coisa como uma arte, assim como praticar segurança.

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A CLASSIFICAÇÃO DO PROF. BLOOM

Uma das teorias chaves em aprendizado do adulto é atribuído ao Dr. Bloom (1956). Ele desenvolveu um sistema para o aprendizado do adulto, chamado de Classificação de Bloom. Entender esta classificação irá ajudar os profissionais de segurança em treinamento na compreensão de como adultos aprendem e, como resultado, entender melhor como se tornarem bons treinadores ou professores.

Bloom explica que o aprendizado divide-se em 3 diferentes domínios:

1. o o primeiro é o aprendizado psicomotor; este tipo de aprendizado significa “ação e movimento”; um exemplo deste tipo de aprendizado é encontrado em jardins de infancia, quando crianças atravessam uma corda suspensa para ajudá-los a desenvolver coordenação. Outro exemplo – crianças nadando no chão sob um cobertor, brincando de simular uma fuga; um exemplo em adultos pode ser visto em um treinamento de emergencia, quando os trabalhadores são treinados para utilizar um determinado EPI quando soa um alarme. O conceito de ver uma ação e praticar uma ação e depois executar a ação sob os olhos de um instrutor é uma parte importante do aprendizado psicomotor;

2. Um outro tipo de aprendizagem é o aprendizado afetivo. Aprendizado afetivo envolve os valores e atitudes dos trabalhadores; um exemplo na infancia é quando o professor trabalha com as crianças como respeitar os outros e não interromper as pessoas; um excelente exemplo adulto em segurança é como, em uma empresa como um avançada cultura de segurança, os trabalhadores não usam EPI apenas no trabalho – eles o utilizam também fora do trabalho, inclusive em trabalhos domésticos.

3. O terceiro nível da Classificação de Bloom é o aprendizado cognitivo. Este tipo de aprendizado envolve fatos, regras, princípios e procedimentos. Aprendizado cognitivo ocorre em escolas de ensino fundamental, de ensino médio e tambem no trabalho. Este tipo de aprendizado cognitivo desdobra-se em seis etapas progressivas. À medida que o aprendizado progride, um alto nível de aprendizado vai ocorrendo. Vamos observar que o propósito do seu treinamento deve ser conseguir que o aprendizado suba de nível o mais alto possível a fim de maximizar o treinamento e, consequentemente, a efetividade da segurança.

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NIVEIS DE APRENDIZAGEM COGNITIVA

CONHECIMENTO – COMPREENSÃO – APLICAÇÃO

O primeiro nível no aprendizado cognitivo de Bloom é CONHECIMENTO. Isto consiste no mais básico e envolve simplesmente conhecer. Saber como colocar um rótulo em um container de um produto químico, saber como ligar ou desligar um dispositivo, são alguns exemplos. Conhecimento é tarefa básica e requer que  o trabalhador veja a tarefa, pratique a tarefa e em seguida realize a tarefa com a ajuda do treinador. É aqui que muitos programas de treinamento falham, porque muitos gerentes e supervisores não entendem que as pessoas tem vontade própria. Simplesmente colocar o problema e apenas dizer aos trabalhadores dando-lhes a informação básica é algo certamente próximo da mediocridade, se não uma absoluta falha.

Um bom treinamento para adultos requer que o supervisor não apenas saiba o que, mas porque. Pense nisso. Você como indivíduo faz melhor quando simplesmente sabe “o que” ou você entende melhor quando sabe “porque”?

Observe que crianças são simplesmente ensinadas sobre “o que” e, por respeitar os adultos, eles concordam com o “o que”. Quando eles crescem, eles querem saber “porque”. A criança que se torna adulta quer saber porque ela tem que fazer algo e porque é importante.

Será que o sistema de treinamento de sua empresa trata seus trabalhadores como crianças, esperando que eles simplesmente façam o que foi dito e para essencialmente calar a boca sobre aquilo?

Ou seja, será que a sua empresa espera que a mesma pessoa exerça um julgamento como um adulto quando ela é admitida?

Enquanto um trabalhador mais jovem poderá abertamente desafiar este tipo de aprendizado, os adultos, por sua vez, irão interpretar que esse comportamento rebelde irá levar a consequencias negativas no trabalho. Ou seja, eles simplesmente vão fazer o que eles foram mandados mas somente enquanto alguem estiver olhando. A empresa que fica na posição de esperar para ensinar a adultos como crianças e esperar que o tempo passe para que eles exerçam independencia no trabalho é ignorar complementamente a natureza humana e ao fazer assim estão criando uma situação de risco.


COMPREENSÃO

O aprendizado adulto necessita caminhar na direção da COMPREENSÃO, o segundo nível do aprendizado cognitivo de Bloom.

Ficar atento à lógica de que adultos devem entender porque eles estão fazendo alguma coisa – isto é o menor nível que o seu programa de treinamento deve partir na direção do aprendizado cognitivo.

Mesmo assim, este nível de aprendizagem, simplesmente sabendo “o que” e “porque” irá produzir ainda resultados medíocres. Isto ocorre porque, em nosso mundo complexo, trabalhadores geralmente tem de fazer decisões independentes e exercer julgamento.


APLICAÇÃO

O próximo nível é a APLICAÇÃO. Melhor do que apenas fazer uma tarefa (conhecimento) e entendê-la (compreensão), aplicação requer que o treinador esteja apto a aplicar o conhecimento em diferentes situações. Enquanto CONHECIMENTO requer que o treinador veja uma tarefa resolvida, em seguida praticar e executar a tarefa, APLICAÇÃO do aprendizado requer que o treinador aplique o conhecimento em circunstancias que podem ser diferentes da maneira como a tarefa foi aprendida.

Um exemplo simples que a média dos trabalhadores pode entender é sobre saída de emergencia. Ocorre quando o trabalhador é ensinado a sair por uma porta específica durante uma emergência (conhecimento) e sabe que ele pode morrer se ele falhar em sair quando o alarme soar (compreensão). A aplicação requer que o trabalhador, sem treinamento posterior, possa ir para uma outra porta que deve ser a primeira porta a ser trancada. Saída de emergencia é uma aplicação simples mas ela é a etapa que separa o simples e médio treinamento para um treinamento padrão. Certamente, a média de trabalhadores terá o bom senso de utilizar corretamente a primeira saída de emergência a ser fechada. Entretanto, será que o trabalhador médio saberá o que fazer em um cenário mais complexo, como acabar entrando em um espaço confinado potencialmente perigoso, que pode abrigar uma variedade de diferentes riscos?



ANALISE

O próximo passo no processo de aprendizagem cognitiva é ANÁLISE, no qual o treinador pode separar uma parte do sistema de outro com o objetivo de observar padrões e diagnosticar problemas potenciais.

Por exemplo, um trabalhador da manutenção é treinado em desligar uma máquina e sabe que se falhar em fechar o sistema, pode resultar em que alguem ligue a máquina sem saber que o sistema fechou (compreensão). Digamos que a chave do trabalhador se perdeu, e assim ele terá que pegar outra (aplicação). Entretanto, análise requer que o trabalhador analise a situação vá uma etapa adiante, observando padrões.

Quando o trabalhador analisa a situação ele se dá conta de que outro botão de desligamento pode não ser seguro, entendendo que a chave pode ser outra; isto pode resultar em que, estando a chave sendo desligada, embora ele tenha fechado o sistema, alguem pode ainda continuar em situação de risco.

Enquanto um trabalhador com conhecimento não sabe, um trabalhador com compreensão sabe, mas apenas aquilo relacionado à situação específica, não a situação como um todo. Um trabalhador com aplicação não sabe sobre a situação como um todo, enquanto um trabalhador com análise irá ver toda a situação de risco. Neste ponto o trabalhador pode começar a agir como um adulto em relação à segurança; ele não precisa de um profissional de segurança ou supervisor para servir de “babá” para ele a cada minuto, mas pode começar tomando iniciativa e adotar decisões com responsabilidade para a sua própria segurança.

O trabalhador ainda precisa de profissionais de segurança para ajudá-lo em análises de risco mais avançadas, lado a lado com informações atualizadas sobre causas de acidentes e prevenção, assim como desenvolvimento em saúde ocupacional.


SÍNTESE

A Quinta etapa neste processo é SINTESE. Neste nível, o trabalhador estará apto a desdobrar todo o sistema em partes individuais e reconstuir o sistema para formar um ainda melhor. É neste nivel onde trabalhadores podem ser indispensáveis em ajudar a desenvolver um sistema de segurança.

Por exemplo, é seguro afirmar que a média dos profissionais de segurança não tem conhecimento que a média de eletricitários tem. O eletricitário tem o conhecimento técnico,  embora possivelmente falte a ele o conhecimento de segurança para fazer o sistema trabalhar dentro do padrão. O profissional de segurança tem o conhecimento geral mas falta-lhe informações acerca de detalhes técnicos que o eletricitário tem dos aspectos operacionais do dia a dia. Entretanto, quanto você coloca as habilidades do eletricitário e de um profissional de segurança juntos, e quando eles podem se comunicar um com o outro, uma grande sinergia ocorre, onde o total das partes é bem maior que os elementos individuais.

Quando isto ocorre, o programa de segurança evolue para um nível mais avançado assim como o profissional de segurança está apto a lidar com problemas de segurança que ele jamais havia pensado antes, na ausencia das informações trazidas por um eletricitário treinado. Entretanto, isto é o papel do supervisor de segurança, não do eletricista, fazer com que a sinergia ocorra através da linguagem do eletricitário.


AVALIAÇÃO

A etapa final da Classificação de Bloom é avaliação. Quando o trabalhador atinge este estágio, ele estará apto a julgar a efetividade do programa no ambiente do dia-a-dia, incluindo emergências. Estará tambem apto a se tornar um grande recurso para a segurança  que poderá auxiliá-lo como um parceiro a fim de verificar como um programa de segurança pode interagir um com o outro. O conflito entre o fechamento de portas para a segurança de um prédio e a abertura delas para uma saída de emergência serve como um bom exemplo.


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ATINGINDO O NÍVEL DE EXCELÊNCIA

O valor da Classificação de Bloom do domínio cognitivo para o seu sistema de segurança é melhor entendido quando associado ao entendimento sobre o significado do domínio afetivo. Existem 4 níveis do domínio afetivo que influencia valores: O primeiro é atenção. Neste estágio, o trabalhador simplesmente sabe o valor de uma ação, como por exemplo trabalhar com segurança, mas não necessariamente vai seguir este princípio. Em contraste com o primeiro exemplo, o segundo nível é reforço. Nesta fase, o trabalhador sabe o valor de uma ação, mas vai segui-lo somente quando houver reforços positivos, como um programa de incentivo ou de mecanismos de reforço negativo, como ser chamado a atenção por violação de regras. Assim, o trabalhador responde a esses reforços, não porque ele acredite que segurança é um valor essencial. O terceiro nível é promoção, quando o programa de segurança começa a decolar. Neste fase, o trabalhador acredita em segurança, segue as regras sem estímulos e encoraja os demais a fazer o mesmo. Antes dessa fase ocorrer, o trabalhador deve valorizar a segurança e porisso ele deve entender porque.

O nível final é defesa, quando o trabalhador acredita em segurança de forma efetiva, ele não vai apenas atuar com segurança sem qualquer motivação ou punição e não apenas vai encorajar outros para seguir os procedimentos de segurança, mas tambem irá ativamente defender o conceito geral de segurança ou um programa específico quando diante de críticas. Profissionais de segurança devem estar na fase de “defesa” em seu dia-a-dia.

Um exemplo perfeito das duas partes da Classificação de Bloom, a cognitiva e a a afetiva, é ter uma experiencia em segurança com uma sólida formação cultural na área. Por exemplo, fora do trabalho, você usaria EPI quando estivesse fazendo algum trabalho em casa, não apenas por algum reforço, positivo ou negativo, mas porque realmente acredita no valor da segurança? Você usa cinto de segurança porque tem medo do guarda de trânsito ou porque você sabe bem o que pode acontecer se você se envolver em algum acidente e não estiver como o cinto? Você conserva bem um extintor de incêndio? Você ensina a seus filhos essas coisas e encoraja seu esposo ou esposa para fazer o mesmo?

Dr. Bloom nunca reinvindicou que sabia alguma coisa sobre segurança. Entretanto, suas observações em aprendizado do adulto, da maneira como aprendemos e da forma como valorizamos alguma coisa como segurança é uma importante lição nestes tempos em que lutamos para fazer o local de trabalho um lugar mais seguro.

Tradução livre: Prof. Samuel Gueiros, Med Trab, Coord NRFACIL
(certificação em Inglês para uso acadêmico pela Universidade de Leeds, Inglaterra)
Obs.: passe o mouse para ver o crédito das imagens

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DIA DO MEIO AMBIENTE (5 JUNHO): O LIXO DOS AGROTÓXICOS NO TRABALHO

agrotaxico4turcoluis.blogspot.com/2009/11/impacto-do-agr

AGROTÓXICOS BANIDOS DE OUTROS PAÍSES SÃO UTILIZADOS NO BRASIL

O Brasil já foi campeão mundial de acidentes de trabalho; agora entra para uma lista de campeão mundial do consumo de agrotóxicos, tendo se tornado o principal destino de agrotóxicos banidos de outros países. Neste 5 de junho comemora-se o Dia do Meio Ambiente e cada vez as interfaces entre o Meio Ambiente e o Trabalho vão se tornando assuntos de interesse global.


Informações da ONU e confirmadas pela ANVISA e Ministério da Indústria e Comércio alertam que agrotóxicos banidos de outros paises são vendidos e utilizados nas lavouras brasileiras. Pelo menos dez produtos considerados inaceitáveis para o uso na lavoura em países europeus, estão sendo aplicados no Brasil. Mas há pressões para que a situação fique como está. A legislação prevê uma reavaliação desses produtos, etapa indispensável para restringir o uso ou retirá-los do mercado. Uma lista desses produtos foi reavaliada em 2008 e apenas 4 produtos foram banidos. Em 2008, nova lista foi lançada, mas pressões políticas e ações na Justiça, além de divergências no próprio Governo, paralisou esse processo.


EM 14 PRODUTOS, SÓ UM SAIU

De 14 produtos que deveriam ser submetidos à avaliação, só houve uma decisão, a cihexatina, empregada na citrocultura, será banida a partir de 2010. Até lá, seu uso é permitido só no Estado de S. Paulo. Ou seja, temos mais de 6 meses para que trabalhadores sejam contaminados e sobrecarreguem o sistema de saúde, além dos prejuízos às suas famílias. Como se um risco dessa ordem tivesse ainda prazo para ser utilizado.


COMISSÃO TRIPARTITE DO AGROTÓXICO

É incrível que o Ministério do Trabalho não participe dessa Comissão, sabendo-se que os principais prejudicados pelos agrotóxicos são os trabalhadores. A Comissão que avalia os produtos é formada pelo IBAMA, Ministério da Agricultura e Anvisa. Para se ter uma idéia, o endossulfam, associado a problemas endócrinos, dobrou a quantidade de sua importação pelo país e sem dúvida levará ao dobro de problemas na saúde dos trabalhadores. Assim como nas questões do trabalho, da agricultura e do meio ambiente, as comissões tripartites refletem vieses políticos em situações eminentemente técnicas, não importando se suas decisões ou omissões acabem trazendo repercussões negativas irreversíveis à sociedade. Se a Comissão Tripartite do Agrotóxico fosse tão eficiente assim não haveria necessidade de ações judiciais, como as que se iniciaram em S. Paulo por parte do Ministério Público (ver abaixo).


agrotoxicos11 CONSUMINDO LIXO

“Estamos consumindo o lixo que outras nações rejeitam”, resume a coordenadora do Sistema Nacional de Informação Toxico-Farmacológica da Fundação Osvaldo Cruz, Rosany Bochner. Alguns agrotóxicos proibidos na China, Índia e Paraguai, são consumidos normalmente no Brasil.


AGROTÓXICOS E AMIANTO

“Assistimos a fenômeno semelhante com o amianto”, diz o pesquisador da Fiocruz, Marcelo Firpo. Como esses agrotóxicos não podem ser vendidos em outros países, onde o sistema de saúde é eficiente e age rápido em questões de saúde pública e ocupacional, as empresas multinacionais que vendem esses produtos fazem pressão para vender no Brasil, não importa o custo para a saúde dos trabalhadores e para a saúde dos consumidores. Ou seja, há um custo incalculável em saúde pública e ocupacional e mesmo assim as autoridades responsáveis, como a Comissão Tripartite do Agrotóxicos,  protelam ações indispensáveis para evitar os males dos agrotóxicos.

Sobre o amianto: diversos estudos científicos nacionais e internacionais demonstraram que o amianto, inclusive a crisotila, ou amianto branco, é um inimigo lento e silencioso, capaz de causar doenças com longo período de latência, como a fibrose pulmonar, o câncer de pulmão e o mesotelioma de pleura, causado pela inalação do amianto no meio ambiente.

Agressivas e incuráveis, essas doenças podem se manifestar até 50 anos após o primeiro contato com o amianto. O material é empregado em mais de 3 mil produtos, como o fibrocimento (típico de telhas e caixas-d’água) pastilhas e lonas para freios. Trata-se de um produto fatal para a saúde humana e já foi abolido em mais de 40 países.


agrotoxico3

LOBBY PODEROSO PREJUDICA O TRABALHADOR

E quem defende a manutenção dessa situação são as empresas e o sindicato de indústrias havendo aparente conivência da ANVISA, que não é transparente nas informações técnicas sobre o problema, segundo pesquisadores da Fiocruz. A situação se mantem inclusive por ações na Justiça movidas pelas empresas de agrotóxicos para a venda dessas  “bombas químicas” no Brasil. “O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. A agricultura promete geração de renda e emprego, mas o que vemos são trabalhadores contaminados, alimento contaminado. É importante avançarmos na negação do atual modelo e incentivarmos uma transição agroecológica. É preciso analisar os custos que essa mudança traz e suas conseqüências para a população” (Vicente Almeida, da Embrapa).


AÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Segundo Jornal O Estado de São Paulo, o Ministério Público entrou com uma ação civil pública para proibir o uso do ENDOSSULFAN no Brasil. O produto, altamente tóxico, já foi banido em 60 paíes e e considerado pela própria ANVISA como nocivo à saúde e mesmo assim continua sendo usado na lavoura.


PARECER DECISIVO

“Não há razão para tanta demora na adoção de ações que garantam o fim do uso do produto no País”, argumenta com precisão o Procurador da República, Carlos Henrique Martins Lima. Entretanto, todos afinal de contas sabem as razões para essa demora, pois há interesses poderosos do agronegócio dos tóxicos envolvendo as culturas de cacau, café, cana-de-açúcar e soja.


O ÔNUS DA PROVA - APRENDENDO COM A ARGENTINA
(Eric Nepomuceno - Carta Capital)

Na Argentina, a Justiça do estado de Santa Fé acaba de tomar uma decisão inédita: determinou, em sentença definitiva, a proibição do uso de glifosato em fumigações agrícolas nas zonas urbanas da cidade de San Jorge. Quase todo o glifosato usado no país é produzido pela Monsanto, maior fabricante mundial de sementes transgênicas e de produtos agroquímicos.

A sentença da Justiça de Santa Fé trouxe ainda uma novidade significativa: deu ao governo estadual e à Universidade Nacional do Litoral o prazo de seis meses para que se comprove que os agroquímicos (evitou-se o uso de  “agrotóxicos”) não são prejudiciais à saúde. Assim, inverteu o ônus da prova: até agora, os afetados (em sua imensa maioria pequenos camponeses de   escassos recursos) é que tinham de provar que seus padecimentos estavam relacionados ao glifosato. Ao passar para os grandes impulsionadores do modelo de agronegócios a obrigação de comprovar que os efeitos do produto químico não são prejudiciais à saúde, sentou as bases para uma nova postura judicial, com maior proteção às eventuais vítimas.

Os principais defensores da tese que esses produtos são inócuos são as federações do agronegócio e de produtores rurais, que esgrimem alguns relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO em inglês). A Justiça do estado argentino de Santa Fé ressaltou, porém, que há anos cientistas de todo o mundo criticam esses relatórios, que não se baseiam em estudos próprios ou independentes, mas nos que foram elaborados pelas empresas produtoras de agroquímicos e sementes geneticamente modificadas.

A denúncia que deu origem ao processo partiu de um pequeno grupo de camponeses e moradores da área rural, e teve uma primeira sentença favorável em março do ano passado. De imediato os produtores de soja, a prefeitura local e o governo do Estado recorreram. O recurso foi julgado e teve sentença definitiva: fica proibida a fumigação terrestre a menos de 800 metros de moradias familiares, e a aspersão aérea a 1.500 metros.

A transformação mais radical está justamente na transferência do ônus da prova. Até agora, os queixosos (indígenas, camponeses, moradores da periferia urbana) tinham que comprovar cientificamente que os agroquímicos prejudicaram sua saúde. Esse, aliás, tem sido o principal ponto de defesa tanto do fabricante dos produtos como das autoridades estaduais, pressionadas pelos grandes conglomerados do agronegócio, em todo o país.

Todos afirmam, em uníssono, que as denúncias eram falhas pois, antes de  decidir qualquer tipo de proibição, os queixosos deveriam levar aos tribunais provas incontestáveis de que os efeitos dos produtos agroquímicos sobre a saúde e o meio ambiente são prejudiciais. De nada adiantavam estudos rigorosos e independentes, uma vez que não haviam sido encomendados pelos autores das denúncias levadas aos tribunais.

Post: Samuel Gueiros, Med Trab
veja no seção Destaques do site www.nrfacil.com.br (slides sobre agrotóxicos e a saúde)
Sobre mais artigos sobre o assunto, recomendamos:
http://www.segurancaetrabalho.com.br/t-rural.php

creditos imagens:  mundoorgnico.blogspot.com/2009/03/agricultura



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MAIS DE 50% DA NOVA NR-34 REPETE NRs ANTERIORES

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Uma das expressões utilizadas para caracterizar vícios de linguagem é a expressão TAUTOLOGIA. Vejamos o que diz a wikipedia sobre o assunto:

Tautologia - Wikipédia, a enciclopédia livre

tautologia (do grego ταὐτολογία) é , na retórica, um termo ou texto que expressa a mesma idéia de formas diferentes. Como um vício de linguagem pode ser considerada um sinônimo de pleonasmo ou redundância. A origem do termo vem de do grego tautó, que significa “o mesmo”, mais logos, que significa “assunto”. Portanto, tautologia é dizer sempre a mesma coisa em termos diferentes.

Em filosofia e outras áreas das ciências humanas, diz-se que um argumento é tautológico quando se explica por ele próprio, às vezes redundante ou falaciosamente. Por exemplo, dizer que “o mar é azul porque reflete a cor do céu e o céu é azul por causa do mar” é uma afirmativa tautológica. Um exemplo de dito popular tautológico é “tudo o que é demais sobra”. Da mesma forma, um sistema é caracterizado como tautológico quando não apresenta saídas à sua própria lógica interna, conforme os exemplos: exige-se de um trabalhador que tenha curso universitário para ser empregado, mas ele precisa ter um emprego para receber salário e assim custear as despesas do curso universitário; exige-se de um trabalhador que ele tenha experiência anterior em outros empregos, mas ele precisa do primeiro emprego para adquirir experiência.

Exemplos na linguagem

  • elo de ligação
  • certeza absoluta
  • quantia exata
  • juntamente com
  • expressamente proibido
  • em duas metades iguais
  • há anos atrás
  • outra alternativa
  • detalhes minuciosos
  • anexo junto à carta
  • todos foram unânimes
  • encarar de frente
  • criação nova
  • retornar de novo
  • surpresa inesperada
  • escolha opcional
  • planejar antecipadamente
  • última versão definitiva

A NOVA NR-34 DIGITAL

j0431580A equipe do NRFACIL já digitalizou a proposta da nova NR-34 para consulta pública, o que vai facilitar a nossa análise sobre os achados tautológicos na sua elaboração.

Nosso objetivo é participar do debate público sobre a nova NR, como já foi feito na discussão de novas NRs em post anteriores deste Blog. Por exemplo, a nossa equipe constatou que aproximadamente mais de 50% do texto da nova NR-34 constitui praticamente uma repetição do que já foi dito em NRs publicadas.

É bom lembrar que na última edição da Revista Proteção (www.protecao.com.br) foi publicada uma reportagem dizendo que havia uma movimentação para a criação de uma NR do setor financeiro, o que foi rechaçado pela parte patronal da Comissão Tripartite. Os motivos supostamente apresentados para essa nova NR seriam os riscos que os trabalhadores correm em relação aos assaltos. Provavelmente o projeto incluiria um “adicional de periculosidade” para os trabalhadores na área.

A idéia de se criar uma Norma com esses argumentos dá a impressão de que as NRs estão virando uma espécie de cartões de “figurinhas” observados em coleções de adolescentes: cada atividade quer ter a sua NR, ou seja, não se está atentando para que a NR deveria ter um aspecto essencialmente prático e objetivo, seja para os técnicos que as implementam, seja para os auditores fiscais que verificam a sua conformidade. O resultado é que, ao perder objetividade e contextualização prática, a lei pode resvalar para o seu descumprimento ou indiferença. E o que é pior: as NRs multiplicam-se repetindo regulamentos anteriores, como se a cada edição de NR se estivesse redigindo tudo de novo, e se tenha esquecido do que já foi regulado.

Selecionamos alguns itens da NR-34 comparando com outras NRs para que os nossos leitores avaliem o que é ou não tautológico

j0433793VOLTA AQUELA POLÊMICA DO PPRA:

Antes de tudo, logo no início, o primeiro grande problema na nova NR-34 é o que vinha acontecendo em uma recorrente discussão na NR-9 - como interpretar a questão da responsabilidade técnica na implementação da norma:

34.2 Responsabilidades

34.2.1

Cabe ao empregador

I. indicar formalmente um responsável pela implementação desta Norma.

Ora, se já existe o SESMT, porque a NR-34 tem de indicar um responsável para implementar a Norma? Isso vai de encontro ao próprio espírito da criação da NR-4 SESMT - veja o item 4.12.d da NR-4:

4.12.

Compete aos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho

a) aplicar os conhecimentos de engenharia de segurança e de medicina do trabalho ao ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e equipamentos, de modo a reduzir até eliminar os riscos ali existentes à saúde do trabalhador

b)determinar, quando esgotados todos os meios conhecidos para a eliminação do risco e este persistir, mesmo reduzido, a utilização, pelo trabalhador, de Equipamentos de Proteção Individual - EPI, de acordo com o que determina a NR 6, desde que a concentração, a intensidade ou característica do agente assim o exija

c)colaborar, quando solicitado, nos projetos e na implantação de novas instalações físicas e tecnológicas da empresa, exercendo a competência disposta na alínea “a”

d) responsabilizar-se tecnicamente, pela orientação quanto ao cumprimento do disposto nas NR aplicáveis às atividades executadas pela empresa e/ou seus estabelecimentos

Ao exigir um responsável para implementar a NR-34, cria-se um problema semelhante ao da NR-9 (PPRA) – quem será este “responsável pela implementação desta norma”: um Técnico de Segurança? Um Engenheiro de Segurança? Um Médico? Se o empregador indicar outra pessoa fora do SESMT, fatalmente acabaria aparecendo conflitos entre esse “responsável” e o pessoal do SESMT. Essas ambiguidades e dúvidas acabam ensejando uma precarização na gestão de risco e a desqualificação dos técnicos do SESMT. Imagine-se que ocorra um acidente por incompetencia desse suposto “responsável pela implementação da norma”. Quem vai ser responsabilizado? a própria empresa poderá ser penalizada pois certamente uma avaliação judicial da questão demonstrará que houve desconsideração de norma técnica (NR-4).

dialogue comic strip with silhouettesREDAÇÕES CONFLITIVAS

Observem os exercícios a seguir. Por exemplo, sobre proteção contra incêndios, verifica-se que provavelmente a NR-23 foi elaborada por especialistas no assunto, enquanto que os itens consignados sobre o mesmo problema na NR-34 refletem uma abordagem superficial. Um dos aspectos mais importantes da NR-23 é o adestramento de pessoas na prevenção e combate de incêndios, o que não está contemplado na nova NR-34.

A nova NR-34 sobre proteção contra incêndios:

34.5.4 Proteção contra Incêndio

4.5.4.1

Eliminar ou manter sob controle possíveis riscos de incêndios.

34.5.4.2

Instalar proteção física adequada contra fogo, respingos, calor, fagulhas ou borras, de modo a evitar o contato com materiais combustíveis ou inflamáveis, bem como interferir em atividades paralelas ou na circulação de pessoas.

34.5.4.3

Manter desimpedido e próximo à área de trabalho sistema de combate a incêndio, especificado conforme tipo e quantidade de inflamáveis e/ou combustíveis presentes.

34.5.4.4

Inspecionar o local e as áreas adjacentes ao término do trabalho, a fim de evitar princípios de incêndio.

O que já foi regulamentado na NR-23 PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS:

23.1 DISPOSIÇÕES GERAIS

23.1.1

Todas as empresas deverão possuir:

a) proteção contra incêndio;

b) saídas suficientes para a rápida retirada do pessoal em serviço, em caso de incêndio;

c) equipamento suficiente para combater o fogo em seu início;

d) pessoas adestradas no uso correto desses equipamentos.

E ainda, de forma mais completa, o que já foi dito na NR-10:

10.9 - PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO E EXPLOSÃO

10.9.1

As áreas onde houver instalações ou equipamentos elétricos devem ser dotadas de proteção contra incêndio e explosão, conforme dispõe a NR 23 - Proteção Contra Incêndios.

10.9.2

Os materiais, peças, dispositivos, equipamentos e sistemas destinados à aplicação em instalações elétricas de ambientes com atmosferas potencialmente explosivas devem ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de Certificação.

10.9.3

Os processos ou equipamentos susceptíveis de gerar ou acumular eletricidade estática devem dispor de proteção específica e dispositivos de descarga elétrica.

10.9.4

Nas instalações elétricas de áreas classificadas ou sujeitas a risco acentuado de incêndio ou explosões, devem ser adotados dispositivos de proteção, como alarme e seccionamento automático para prevenir sobretensões, sobrecorrentes, falhas de isolamento, aquecimentos ou outras condições anormais de operação.

10.9.5

Os serviços em instalações elétricas nas áreas classificadas somente poderão ser realizados mediante permissão para o trabalho com liberação formalizada, conforme estabelece o item 10.5 ou supressão do agente de risco que determina a classificação da área.

A nova NR-34 sobre trabalho em altura.

Observe que definir altura como um desnível constitue um dos mais refinados exercícios de tautologia:

34.6 Trabalho em Altura

34.6.1

Considera-se trabalho em altura toda atividade executada em níveis diferentes, onde haja risco de queda capaz de causar lesão ao trabalhador.

E na NR-18 sobre trabalho em altura, a redação é inclusive mais completa, pois adverte sobre a projeção de materiais, inevitável no trabalho de construção e reparação navais:

18.13. MEDIDAS DE PROTEÇÃO CONTRA QUEDAS DE ALTURA

18.13.1.

É obrigatória a instalação de proteção coletiva onde houver risco de queda de trabalhadores ou de projeção de materiais.

A NR-34 sobre equipamentos elétricos

34.5.7 Equipamentos elétricos

34.5.7.1

Aterrar os equipamentos e seus acessórios a um ponto seguro de aterramento.

34.5.7.2

Instalar o equipamento de acordo com as instruções do fabricante.

34.5.7.3

Usar cabos elétricos de bitola adequada às aplicações previstas, e com a isolação em perfeito estado.

34.5.7.4

Manter em bom estado, sem partes quebradas ou isolação trincada, os terminais de saída, principalmente aquele ligado à peça a ser soldada.

34.5.7.5

Assegurar que as conexões elétricas estão bem ajustadas, limpas e secas.

E na NR-10:

10.4 - SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO, MONTAGEM, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO

.4.1

As instalações elétricas devem ser construídas, montadas, operadas, reformadas, ampliadas, reparadas e inspecionadas de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores e dos usuários, e serem supervisionadas por profissional autorizado, conforme dispõe esta NR.

10.4.2

Nos trabalhos e nas atividades referidas devem ser adotadas medidas preventivas destinadas ao controle dos riscos adicionais, especialmente quanto a altura, confinamento, campos elétricos e magnéticos, explosividade, umidade, poeira, fauna e flora e outros agravantes, adotando-se a sinalização de segurança.

10.4.3

Nos locais de trabalho só podem ser utilizados equipamentos, dispositivos e ferramentas elétricas compatíveis com a instalação elétrica existente, preservando-se as características de proteção, respeitadas as recomendações do fabricante e as influências externas.

10.4.3.1

Os equipamentos, dispositivos e ferramentas que possuam isolamento elétrico devem estar adequados às tensões envolvidas, e serem inspecionados e testados de acordo com as regulamentações existentes ou recomendações dos fabricantes.

10.4.4

As instalações elétricas devem ser mantidas em condições seguras de funcionamento e seus sistemas de proteção devem ser inspecionados e controlados periodicamente, de acordo com as regulamentações existentes e definições de projetos.

10.4.4.1

Os locais de serviços elétricos, compartimentos e invólucros de equipamentos e instalações elétricas são exclusivos para essa finalidade, sendo expressamente proibido utilizá-los para armazenamento ou guarda de quaisquer objetos.

10.4.5

Para atividades em instalações elétricas deve ser garantida ao trabalhador iluminação adequada e uma posição de trabalho segura, de acordo com a NR 17 - Ergonomia, de forma a permitir que ele disponha dos membros superiores livres para a realização das tarefas.

10.4.6

Os ensaios e testes elétricos laboratoriais e de campo ou comissionamento de instalações elétricas devem atender à regulamentação estabelecida nos itens 10.6 e 10.7, e somente podem ser realizados por trabalhadores que atendam às condições de qualificação, habilitação, capacitação e autorização estabelecidas nesta NR.

Um dos exemplos não apenas de tautologia mas de simples repetição:

Na NR-34:

Medidas de Ordem Geral

34.11.1

O dimensionamento dos andaimes, sua estrutura de sustentação e fixação deve ser realizado por profissional legalmente habilitado.

Na NR-18:

18.15. ANDAIMES E PLATAFORMAS DE TRABALHO.

18.15.1.

O dimensionamento dos andaimes, sua estrutura de sustentação e fixação, deve ser realizado por profissional legalmente habilitado.

j0432620ASPECTOS POSITIVOS

Evitou-se a criação de estruturas clones do SESMT e da CIPA, como uma possível CIPANAV, uma SESTNAV ou uma SIPATNAV.

Um outro aspecto positivo é a institucionalização do DDS em uma NR (idéia já consolidada nas próprias empresas).  Seria interessante  que o DDS fosse incorporado ao SESMT ou à CIPA, para aplicação em todas as demais NRs.

E no meio de tantos exercicios tautológicos, o bom senso que deveria ter prevalecido em todos os itens da nova NR-34:

34.6.6 Escadas, rampas e passarelas

34.6.6.1

Observar os requisitos estabelecidos no item 18.12 da NR-18 quanto às escadas, rampas e passarelas.

É o caso de se perguntar porque em tantos regulamentos não se recomendou simplesmente observar as Nrs anteriores?

j0432601Abaixo, mais regulamentos da NR-34 que deixaremos a cargo do leitor identificar quais NRs estão sendo repetidas (sendo que o próprio leitor poderá procurar na nova NR-34 as repetições que não foram abordadas aqui):

Espaço Confinado

34.9.15

Instalar os quadros de alimentação elétricos fora do espaço confinado, com distância mínima de 2,00m (dois metros) de sua entrada.

34.9.16

Manter equipamento autônomo de proteção respiratória ou sistema de ar mandado disponível e de fácil acesso para situações de emergência.

34.9.17

Utilizar somente alimentação elétrica em extrabaixa tensão.

34.9.18

Instalar a bomba pneumática de pintura (Airless), fora do espaço confinado.

Higiene e Proteção do Trabalhador

34.9.19

Fornecer armário individual duplo, de forma que os compartimentos estabeleçam, rigorosamente, o isolamento das roupas de uso comum e as de trabalho.

34.9.20

Realizar a higienização e substituição da vestimenta de trabalho diariamente, na impossibilidade desta, fornecê-la de material descartável.

34.9.21

Assegurar a qualidade do ar empregado nos equipamentos de proteção respiratória de adução por linha de ar comprimido, conforme estabelecido no PPR.

34.9.22

Instalar, próximo ao local da pintura, chuveiro de segurança e lava-olhos de emergência.

Para encerrar essa série, um regulamento realmente curioso da nova NR-34:

34.15 Disposições Finais

34.15.1

É proibido o uso de adorno pessoal na área industrial.

Samuel Gueiros, Med Trab, Coord NRFACIL

Imagem no topo:
http://media.photobucket.com/image/tautologia/LATYPEOFGIRL/sayings%20and%20quotes/janetnc5ad2.jpg

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SENADORA KÁTIA ABREU DETONA A NR-31

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GRAVES CRÍTICAS À NR-31

“Em qualquer atividade, cumprir 252 itens é muito difícil; nas fazendas isso é uma exorbitância”


Em entrevista à Revista Veja (ed. 2162) a senadora Kátia Abreu (TO) refere-se à NR-31 de forma crítica, por coincidencia no momento em que o Ministério do Trabalho disponibiliza para consulta pública a redação da nova NR-34 que está reproduzida na seção Galeria, deste site (www.nrfacil.com.br). A nova NR-34  aparece neste site já no formato digital, desenvolvido pelos técnicos do NRFACIL (http://www.nrfacil.com.br/consultapublica/34.html.)

A ENTREVISTA

Na entrevista, a senadora Kátia Abreu dispara sobre a NR-31: “regras abusivas e difíceis de ser cumpridas à risca por todos os fazendeiros são as que determinam as dimensões exatas dos beliches, a espessura dos colchões ou a altura das mesas nos refeitórios”.

Agora, imagine-se se a senadora tivesse lido a NR-18 ou a NR-29.

A senadora Kátia Abreu, com a autoridade de presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária, toca no ponto sensivel que há haviamos abordado aqui em posts anteriores (sobre novas NRs): o excesso de detalhes comprometendo o bom senso, típico do legislador brasileiro: achar que a tentativa de cobrir tudo e todos os aspectos do assunto é a única forma de se cumprir a regra.

Na Entrevista à Veja, a senadora chega a desafiar os ministros do Governo a “administrar uma fazenda de qualquer tamanho em uma nova fronteira agrícola e aplicar as leis trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade”.

E a senadora acrescenta, ainda: “A NR-31 é uma punição à existência em si da propriedade privada no campo”.

Pode-se concluir que se o Brasil já é criticado pelo excesso de impostos, vai ficando como o país do excesso de regulamentos.

EDIÇÃO DE NRs

De fato, como já havia sido abordado em posts anteriores do nosso Blog, observa-se que na edição das NRs, a despeito de ser uma atividade tripartite e em princípio resultante de uma suposta equipe com todo o bom senso, constatam-se várias inconsistencias: excesso de regulamentos, clones de regulamentos anteriores, repetição, redundância, etc. A nova NR-34 por exemplo, não escapa dessa mesma situação: vários regulamentos repetem o que já foi dito em NRs já publicadas.

Assim, as NRs incorporam tantos regulamentos que vai ficando difícil cumprir a risca, e mais ainda, vai se tornando complicada até mesmo a sua própria fiscalização. Ou seja, uma tendencia para o fenômeno da “letra morta”.

REFLEXÕES

É preciso refletir sobre esses fatos, principalmente diante do posicionamento de uma importante representante da sociedade, como a Senadora Kátia Abreu, e não apenas repetir a cada NR o mesmo modelo: o inchaço e detalhismo de regulamentos, uma clara tendência para se editar NR para tudo. Não é absurdo se pensar que vai acabar aparecendo uma NR até para o trabalho doméstico - com regras para o tamanho da vassoura e do peso das panelas.

Diante de uma manifestação tão grave de uma senadora da República sobre uma NR (31), com “regras abusivas e difíceis de cumprir”  seria interessante que se publicasse o resultado dessas consultas públicas sobre as novas NRs e que a Comissão Tripartite fornecesse uma resposta convincente à senadora. E, ainda, saber-se quantas pessoas ou quantas instituições se manifestaram sobre a nova NR e o resultado dessas manifestações do ponto de vista prático.  É possível que em muitos casos, de NRs anteriores, ninguem reclamou e não se disse nada diante de tantas regras, temendo-se possíveis represálias da máquina do governo,  ou até por simples acomodação.

DINÂMICA TRIPARTITE

Seria impossível acreditar que esta Comissão Tripartite se comportasse  como tantas outras no serviço público: alguns membros mais esforçados ou que acham que sabem mais, fazem tudo, e todo mundo no final assina concordando, sem se importar com as consequencias. Além disso, vários itens de NRs são modificados por simples Portarias, ao longo do tempo,  sem que esteja evidente uma dinâmica tripartite nesse processo.

E, ainda, se as regras são excessivamente detalhistas para “proteger o trabalhador”, como se explica que um simples detalhe (do novo CNAE) reduziu graus de risco (como na indústria madeireira), tornando o trabalhador mais vulnerável em várias atividades?

Pode-se refutar esses argumentos e os da senadora Kátia Abreu dizendo-se que é assim mesmo, que tudo é resultado de uma negociação tripartite.

Mas quando o novo FAP foi lançado (que, a exemplo das NRs, teria sido resultado de acordo tripartite), os empresários contestaram as regras, a FIESP reagiu com força na imprensa e foi reclamar na Justiça. Isto demonstrou que, ao contrário do que se supunha, e do que foi posteriormente publicado na imprensa, os empresários, ou estiveram à margem dessas “negociações tripartites” ou assinaram tudo sem ler nada.

Seria interessante que a Senadora Katia Abreu tomasse agora a iniciativa para uma convocação dos membros da Comissão Tripartite das NRs para uma explicação pública sobre os fatos que ela critica e que tem eco em alguns setores da sociedade.

Samuel Gueiros, Med Trab Coord NRFACIL

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SERIA POSSÍVEL O “VALE-SEGURANÇA” NO BRASIL?

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www.cduacores.net

http://ehstoday.com/safety/news/incentives-behavior-key-effective-program-1113/
Publicação da tradução autorizada por Penton Media Inc.


PROGRAMAS DE INCENTIVOS EM SEGURANÇA NO TRABALHO

Uma forma efetiva de reconhecimento de empregados é usar incentivos para reforçar determinados comportamentos de segurança

Ao ensejo do Dia do Trabalho publicamos artigo do site referido acima com autorização para a sua tradução e inserção neste post. O artigo aborda uma questão muito comum à cultura americana que é a competição e premiação para se atingir objetivos. Trata-se de uma prática que não é muito comum em nosso país. Mas vale a pena estudar a idéia e quem sabe ela possa render resultados por aqui tambem e nós possamos premiar os trabalhadores não apenas neste Dia do Trabalho, mas de forma contínua, através de programas de incentivos.

incentivoINCENTIVOS: SERIA O COMPORTAMENTO
A CHAVE PARA UM PROGRAMA EFETIVO
?

Muitas empresas desenvolvem programas de incentivos à segurança na busca de reconhecer e recompensar empregados por praticas seguras e saudáveis. Embora os programas de incentivos sejam populares eles não são sempre efetivos. Simplesmente recompensar empregados para “trabalhar de forma segura” ou ainda, “não se acidentar” não se constitui uma abordagem adequada sobre a causa de acidentes.

Como poderia supostamente um empregado, no mínimo, saber para mudar? Uma abordagem mais efetiva poderia ser a promoção de incentivos baseados em comportamentos bem definidos. Motivação, reconhecimento e recompensa daqueles comportamentos poderia render os resultados desejados em segurança no trabalho.

Muitos programas de incentivo à segurança recompensa trabalhadores por trabalhar com segurança num determinado periodo de tempo. Este projeto está associado com alguns resultados, como por exemplo “trabalhar 1 ano sem se acidentar” ou um objetivo similar. Consequentemente, os empregados iriam trabalhar na direção daquele resultado.

Em caso de estarem motivados por incentivos financeiros ou pressão de companheiros para não prejudicar os registros de segurança da empresa, empregados podem usar qualquer estratégia para atingir o resultado desejado, incluindo evitar emitir CAT (tradução para “injury reports”). Isto pode levar a mais acidentes no futuro. Um empregado pode escolher ignorar um acidente mínimo até ele se tornar tão grave que ele não tenha outra escolha senão emitir uma CAT.

Nessas circunstâncias o número de acidentes de trabalho pode até declinar, mas a gravidade dos acidentes de cada CAT (emitida só para acidentes graves) aumenta e resulta em custos cada vez maiores.


motivacao1MOTIVAÇÃO CORRETA

Por outro lado, se houver um programa de premiação de trabalhadores para o uso de procedimentos e práticas seguras ou participação em atividades de segurança, o comportamento é reconhecido antes de um acidente ocorrer. Isto ajuda a prevenir acidentes. O ponto chave é motivar comportamentos desejados que de forma proativa promova e patrocine segurança na empresa.

Existem várias influencias motivacionais no local de trabalho que tem efeito dramático no comportamento dos empregados e pode no final das contas determinar se um empregado trabalha de uma forma segura ou insegura. Muitos empregados desejam aceitação, respeito próprio e reconhecimento. Essas necessidades podem não ser atendidas, mas o foco principal do empregado é satisfazer essas demandas em primeiro lugar; trabalhar de forma segura poderá ser um foco secundário.

Reconhecimento tem o efeito de motivar comportamentos desejados. Nós fazemos o que fazemos por causa das consequencias. Se um comportamento rende resultados desejados, nós provavelmente iremos repeti-lo. Entretanto, se rende resultados indesejados, nós provavelmente pensaremos duas vezes e evitaremos este comportamento no futuro.

Dessa forma, recompensas devem ser compreensíveis o suficiente para motivar empregados.


NA HORA CERTA

A recompensa deve ocorrer logo após a performance? Se a recompensa vier muito tarde, o trabalhador pode não fazer uma conexão entre o comportamento seguro e a recompensa. Premiando os empregados logo após a performance desejada, isto reforça o comportamento desejado.


CONSISTENTE E CERTO

Estarão os empregados convencidos de que eles serão reconhecidos pelo comportamento seguro? Assegure-se de reforçar politicas e procedimentos consistentes e premiar e reconhecer simultaneamente com as diretrizes do programa de incentivo. Se um empregado se sente como se pudesse praticar atos inseguros porque ninguem iria notar, o empregado pode tambem se sentir como se seus comportamentos seguros ou participando de programas não será notado, e afinal de contas não gratificado.


SIGNIFICADO

Seria o reconhecimento e premiação considerados significativos e compreensíveis para os empregados? Pergunte aos supervisores o até mesmo aos próprios empregados para a pergunta: O que poderia motivar trabalhadores? Busque a resposta e em seguida faça um esforço para providenciar premiação e reconhecimento que você sabe que o empregado irá se esforçar para conseguir.


SINCERIDADE

Seriam os motivos para reconhecimento e gratificação percebidos como sinceros? Geralmente e talvez mais do que nunca no clima da economia atual, trabalhadores são sarcásticos e podem suspeitar do que está por trás de um programa de incentivo à segurança e as chamadas gratificações associadas com isto. Trabalhadores podem sentir que de qualquer forma você está tentando trazê-los para trabalhar duro pelo mesmo salário – com poucos benefícios para ele. Mesmo assim, os benefícios gerais de um programa de incentivos (ou seja, um local de trabalho seguro) deve ser desenvolvido para os empregados.

E ainda, quando gerentes e supervisores dão o devido reconhecimento a empregados de uma forma sincera, os trabalhadores irão perceber que eles estão atuando com liderança. Consequentemente, isto irá melhorar as relações de trabalho entre empregados e a gerência.

A parceria é um elemento necessário para um efetivo programa de gerenciamento em segurança e saúde o trabalho.


recompensaRECOMPENSAS

Formas de premiação para comportamentos desejados são muitos e variados, mas geralmente podem ser categorizados como extrinsecos ou intrinsecos. Os primeiros são coisas tangíveis, como bonus, broches, taças, placas, certificados, almoços, etc. Esses prêmios são usados como parte de uma estratégia para desenvolver recompensas intrínsecas ou motivação. Por exemplo, para conseguir que alunos leiam mais, professores e pais geralmente usam um sistema de premiação durante o qual a criança recebe um premio pelo tempo dispendido na leitura. Isto é um reforço positivo para um comportamento desejado. Ao longo do tempo, outros prêmios são oferecidos, mas muitas crianças irão escolher a leitura e acabam tendo prazer nesta atividade (quanto maior o tempo da leitura, maior o prêmio).

A razão para isto é que a premiação é intrinseca, ou seja, premiação intrínseca é interna e intangível. Este tipo de premiação intrínseca representa como nós premiamos nós mesmos. O resultado pode incluir aumento da auto estima, elevação do senso de propósito, alta credibilidade, sentir-se cumprindo a missão, etc.

Seria a premiação em si mesma ou o sentido que está por trás dessa atitude que motiva mais seus empregados? Se eles são como a maioria das pessoas, um sincero “obrigado” oferece uma premiação intrínseca que resulta em real motivação para continuar o comportamento e isso nos faz felizes pois seremos parte de alguma coisa maior que nós mesmos.

Considere o exemplo de premiar crianças por continuar lendo e pense sobre que comportamentos você gostaria que fosse incrementado no local de trabalho. Será que o uso inicial de uma premiação extrínseca, tangível, levaria eventualmente para uma premiação intrinseca, da mesma maneira? Claro, e isto pode ser conseguido utilizando uma variedade de incentivos.


FORMAS DE ENGAJAMENTO

engajamento1


eviteacidentesSLOGANS DE SEGURANÇA – Reforçar os mesmos tópicos todo o tempo pode tornar a segurança um saco… Isto facilmente pode levar os empregados a parar de prestar atenção para a sua messagem e ficarem indiferentes. Para fazer segurança uma novidade sempre, motive os empregados a criar novos slogans.

Slogans em segurança são muito populares. As possibilidades são infinitas e geralmente não requer que os empregados tenham conhecimento especial sobre segurança. Slogans em segurança promovem comportamentos proativos encorajando empregados a pensar sobre praticas seguras e meios de prevenir acidentes no ambiente de trabalho. Mesmo que eles não dêem uma idéia, seus empregados vão dispensar um pouco de tempo extra refletindo sobre a  importancia da segurança.


pontuaaao1SISTEMA BASEADO EM PONTOS – Nesse sistema, a ênfase não está na ocorrência de um acidente. Enquanto isto ainda pode ser um fator importante, o critério básico para atribuir pontos deve ser baseado em um comportamento de segurança proativo.

Por exemplo, um empregado pode conseguir um ponto por estar livre de acidentes, 3 pontos por fazer uma sugestão de segurança, 5 pontos por conduzir uma inspeção de segurança, 5 pontos por participar de uma palestra de segurança, etc.

Recompensando empregados por uma ampla variedade de atividades de segurança irá levar você a espalhar pontos por toda a empresa. Isto assegura o engajamento do maior número possível de empregados no programa de gerenciamento de segurança e saúde no trabalho. Nenhuma empresa pode ser bem sucedida nesses programas sem o envolvimento dos empregados.


premiovaleseguranaaVALE-SEGURANÇA – Os vales de segurança (tradução livre para “safety bucks”) representam uma maneira comum e muito popular nos Estados Unidos de premiar esforços em segurança por parte dos empregados. (Obs. do blog: O vale pode ser descontado em dinheiro ou em objetos comprados em lojas autorizadas. O empregado vai somando pontos, ganha os vales e depois desconta em dinheiro ou em bens; na Internet existem várias empresas prestadoras de serviços que implantam esse sistema a um custo muito baixo para a empresa - isso nos Estados Unidos).

Certifique-se entretanto que os vales são concedidos aos empregados para determinados comportamentos de segurança. Caso os supervisores implantem o sistema de vale-segurança eles devem ser dirigidos para premiar alguma coisa muito importante, tipo:

Avisar a um companheiro sobre riscos e comportamento de riscos

Identificar um risco

Comunicar imediatamente um acidente

Fazer uma sugestão que previna acidentes

Premiando empregados logo após a performance, isto reforça o comportamento de segurança desejado. É essencial focar mais no comportamento que você estiver promovendo mais do que no prêmio em si mesmo. Lembre-se de que você deseja um programa de incentivo e não um programa de prêmios.

Jennifer Stoschein é bacharel em estudos de meio ambiente e biologia e especialista em conformidade legal;
sua área de especialidade inclui programas de incentivo de segurança, auditorias e inspeções.

Tradução livre: Samuel Gueiros, Med Trab (Certificação em Inglês para uso acadêmico - University of Leeds, Inglaterra)

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